JIA 2015

Desde os inícios da arqueologia que se desenhou uma dicotomia teórica contrapondo a escola norte-americana com a arqueologia desenvolvida na Europa. Enquanto uma se associava ao pensamento (e aos departamentos) de antropologia, a outra associava-se à história. Com a Nova Arqueologia o debate voltou a surgir, mostrando-se especialmente favorável a uma abordagem antropológica que procurava estudar os comportamentos dos grupos humanos. A discussão permaneceu nos anos seguintes, mantida por uma escola pós-processualista que defendia uma abordagem histórica.

Na verdade, ao longo do século passado, a arqueologia deixou de ser encarada como uma disciplina auxiliar, para passar a ser reconhecida como uma disciplina autónoma, sem nunca perder a sua forte ligação com os corpos teóricos da história e da antropologia. Podemos dizer assim, que a arqueologia surgiu do cruzamento destas duas.

Foi através da Nova Arqueologia que se estreitou a relação com as designadas ciências "exactas", tanto no campo teórico, como metodológico. Binford, através dos seus estudos actualísticos, foi um dos grandes defensores da aproximação da arqueologia às ciências exactas e antropológicas. Não obstante, a resposta contextualista dos anos 80 deparou-se com uma arqueologia que então se encontrava conectada em diversos campos disciplinares, da matemática à física, ou da geologia à linguística.

Esta conexão ocorreu de forma tão acentuada que superou largamente os meios académicos. Foi de tal modo que se tornou indissociável da denominada arqueologia de salvamento. Assim, não só a teoria e as metodologias arqueológicas passaram a estar contextualizadas numa rede de conhecimento científico mais amplo, como também a própria prática arqueológica ganhou a relevância necessária para estabelecer diálogo com os profissionais das diversas áreas. Refiram-se, por exemplo, a engenharia, a arquitectura e o planeamento do território.

Mais recentemente, a associação da arqueologia com a educação ganhou maior destaque, resultado da acção de grupos que visavam a protecção do património. Neste âmbito, destaque-se o surgimento de conceitos como o de Arqueologia Pública.

Nos últimos anos, os temas das JIA têm mostrado uma profunda preocupação com o papel da Arqueologia na sociedade e a sua relação com as outras ciências. Neste sentido, nas VIII JIA pretendemos dar uma continuidade a esta reflexão, propondo discutir o tema "Entre ciência e cultura: da interdisciplinaridade à transversalidade da arqueologia".