Primeira Circular

Depois das VII JIA realizadas em Vitoria-Gasteiz, em Maio de 2014, o CHAM e o IEM assumiram a organização das próximas Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica, que terão lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Lisboa). Convencidos de que as JIA são uma boa proposta de reunião científica projectada por jovens investigadores e dirigida a este colectivo, tentaremos cumprir com confiança as expectativas depositadas em nós. Esperamos por todos em Lisboa, de 21 a 24 de Outubro de 2015.

Atendendo à problemática assinalada, Entre ciência e cultura: da interdisciplinaridade à transversalidade da arqueologia, propomo-nos discutir ideias sobre o rumo que a arqueologia deverá tomar na actualidade. É nosso objectivo reflectir sobre as vantagens e desafios da inter à transdisciplinaridade da disciplina, num espaço que promova a participação de todo aquele que, nalgum momento da sua investigação e práctica profissional, se tenham deparado com a arqueologia.

Pretendemos debater sobre a interacção entre a arqueologia e as outras ciências, sobretudo as sociais, mas também com as sociedades actuais. Embora o nosso objecto de estudo nos remeta para o passado, é fundamental repensar como a prática da arqueologia tem em conta as particularidades do ambiente sociocultural em que se desenvolve.

Interessa-nos, por um lado, discutir sobre a melhor forma de transmitir os trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos e, por outro, compreender de que modo outras áreas têm vindo a trabalhar com a arqueologia. Pretende-se promover uma maior consciencialização sobre o impacto da disciplina em outras áreas e, por exemplo, ver o nosso objeto de estudo a partir de outras perspectivas. Este diálogo encontra-se aberto para que outros profissionais possam fornecer novas metodologias e facultar resultados que muitas vezes estão fora do conhecimento arqueológico específico.

Para este encontro propomos um modelo que facilite a abordagem da arqueologia através de uma perspectiva transversal, definido por um espaço que convida estudantes de outras áreas a discutir problemáticas arqueológicas. Neste sentido, escolhemos ramos do conhecimento que trabalhem com o universo das percepções sensoriais através da Arte.

Considerando o exposto serão especialmente bem-vindas as propostas que reflictam sobre as seguintes problemáticas:

a) A relação da arqueologia com as outras ciências, em especial as ciências sociais, que até ao momento têm vindo a ser menos consideradas nos trabalhos arqueológicos.

b) Como construir conhecimento arqueológico? Como ultrapassar os modelos estabelecidos e criar novas metodologias? Como articular a actividade científica com a sociedade, seja através do património, da educação ou por qualquer outra via?

c) Arqueologia e património - A associação da arqueologia com o património permitiu superar o âmbito meramente académico da disciplina e valorizar os vestígios arqueológicos como um objectivo colectivo. Esta é a ideia por detrás da arqueologia de salvamento, que procura relacionar os trabalhos arqueológicos com as demandas da comunidade onde se desenvolvem. No entanto, qual o verdadeiro impacto que esses trabalhos têm para a comunidade? Responderão os trabalhos arqueológicos às expectativas dessas pessoas? Estamos conscientes desses interesses? Será verdadeiramente benéfico associar a arqueologia a outros interesses? Qual a melhor maneira de o fazer evitando manipulações?

d) Arqueologia e educação - Partindo do suposto que não existe arqueologia se a disciplina tem apenas como público a sua comunidade científica, é importante reflectir sobre o papel do arqueólogo como formador. A escassa valorização das ciências sociais, e particularmente da arqueologia, tornam difícil o reconhecimento do seu papel pelas comunidades. Tal situação deve-se, essencialmente, ao desconhecimento da actividade arqueológica, assim como dos resultados obtidos pela sua investigação. Pretendemos, por isso, lançar o debate sobre a responsabilidade do arqueólogo na divulgação dos resultados dos trabalhos arqueológicos entre a população. Educar quem, para quem, com que finalidade, e de que modo?

e) Arte como espelho da arqueologia – Através desta problemática pretende-se que a arqueologia se possa observar na arte. Refiram-se, por exemplo, os trabalhos realizados no âmbito das valas comuns do franquismo e de que modo os documentários sobre essas escavações nos permitiram reflectir sobre a nossa actividade e de que modo esta se tem vindo a repercutir na comunidade a nível emocional.

Convocatória para as sessões

Com esta primeira circular ficam estabelecidas as condições para a aceitação de propostas das JIA 2015 e aberto o prazo de recepção de todas as propostas, que terminará no dia 31 de Março de 2015. A partir daí o CHAM e o Comité Científico das JIA seleccionarão as sessões aceites, que serão publicadas em Abril de 2015. Abrir-se-á então o prazo de aceitação das propostas de comunicações, posters, imagem e ilustração, e multimédia integrados nas mesas redondas e sessões já configuradas. A única condição de participação nas JIA é não ter terminado a Tese de Doutoramento até à data de celebração das jornadas. A segunda circular será publicada em Setembro.

Através da experiência adquirida nas anteriores edições propomos umas jornadas que congreguem o aspecto mais científico em formato de debate, fundamentado na partilha de ideias sobre temas comuns a partir de diferentes pontos de vista.

Seguem, por isso, as normas para as propostas de sessões (tradicionais e mesas redondas):

Sessões tradicionais: Consistirão em sessões que abordarão temas específicos da cultura material ou de contextos arqueológicos, em particular as que proponham um modelo inovador e que incluam os resultados da colaboração com outras áreas científicas. Seleccionaremos as propostas mais inovadoras, cabendo aos coordenadores da sessão seleccionar os conferencistas que a integrarão. As sessões terão a duração de 2h15 e por isso apelamos a que o número de conferencistas não seja elevado (entre 5 a 7) de modo a fomentar o debate. As apresentações serão realizadas de modo seguido e sem interrupções, decorrendo o debate no final, para um maior controlo de tempo.

A formalização das várias propostas deverá ser feita através do e-mail: secretariajia2015@gmail.com, com a referência "sessão tradicional"+NOME da pessoa responsável pela mesma e com a seguinte documentação:

- Descrição detalhada (máximo 1000 palavras) onde se descrevem as motivações e objectivos da sessão. Depois de seleccionada a proposta, este texto será utilizado na convocatória das comunicações, pelo que se sugere um conteúdo claro e expressivo.

- Dados pessoais e filiação institucional da pessoa ou pessoas encarregues de coordenar a sessão: nome, apelidos, e-mails, endereço e telefone de contacto.

- Relação dos investigadores/as que confirmaram o interesse em participar na sessão. Todos os listados deverão ter sido consultados sobre a sua participação na sessão.

Mesas redondas: O modelo de mesa redonda seguirá os mesmos critérios estabelecidos nas últimas jornadas, uma vez que os resultados foram bastante positivos. Nestas sessões propõem-se temas mais gerais para o debate colectivo, definindo a priori um esquema com os principais pontos a serem apresentados. Da proposta enviada ao comité organizador deverá constar o título da mesa, a problemática a debater e a corrente teórica em que se enquadra, assim como um guião com as principais questões que se pretendem evidenciar. Uma vez aprovada, os coordenadores deverão lançar um call para a mesa e, conforme as propostas recebidas, reformular o guião inicial que deve incluir um resumo das contribuições seleccionadas. Este guião não deve ter mais de 2000 palavras e será disponibilizado no site 15 dias antes do fecho das jornadas, para que todos possam reflectir previamente sobre essas questões e participar activamente no debate.

Durante as jornadas os trabalhos da mesa organizar-se-ão do que seguinte modo: breve intervenção dos coordenadores ou autores (aprox. 20 min.) que apresentam a mesa e um resumo das propostas. Seguir-se-á o debate dos pontos evidenciados por parte dos assistentes à mesa e do público. Para concluir, os últimos 10 min. devem ser reservados para sistematizar as ideias principais.

A formalização das várias propostas deverá ser feita através do e-mail: secretariajia2015@gmail.com com a referência "mesa redonda"+NOME da pessoa responsável pela mesma e a seguinte documentação:

- Título que resuma o tema de debate e descrição detalhada (máximo 1000 palavras) do tema, com as problemáticas a abordar do ponto de vista teórico e/ou metodológico; acompanhado de um guião com as  questões (máximo 5) que se espera debater na mesa.

- Dados pessoais e filiação institucional da pessoa ou pessoas encarregues de coordenar a sessão: nome, apelidos, e-mails, endereço e telefone de contacto. 

- Relação dos investigadores/as que confirmaram o interesse em participar na sessão. Todos os listados deverão ter sido consultados sobre a sua participação na sessão

Sugestões

No sentido de facilitar o trabalho de organização passamos a indicar algumas sugestões. Em primeiro lugar, se, uma vez aberto o prazo de recepção das propostas, forem recebidas várias sobre um mesmo tema, será colocado à consideração dos coordenadores a sua unificação numa sessão comum. Em segundo lugar, o tempo de duração das comunicações deverá variar em função do número de comunicantes; informação que será facultada na próxima circular. Os coordenadores podem participar com uma comunicação no decurso da sessão que apresentam, não ultrapassando o limite de tempo estabelecido para os restantes comunicantes.

Com esta primeira circular iniciamos o caminho para as próximas JIA 2015, onde todos são bem-vindos/as.

Para qualquer questão não hesitem em contactar-nos através do e-mail secretariajia2015@gmail.com.