Convivências e Religião
Cidade fronteira entre os poderes islâmico e hindu, Goa era uma cidade em que as religiões conviviam, quando foi conquistada por Afonso de Albuquerque. A vitória dos Portugueses levou à saída dos muçulmanos e à entrada dos cristãos.
Num tempo de militância e de intolerância, Goa testemunhou o esforço de milhares de religiosos que se dedicaram à transmissão do Evangelho e viu mesmo crescer, desde cedo, uma numerosa comunidade de clérigos goeses. A partir de meados do século XVI, a cidade cristã deixou de ser um espaço de diálogo inter-religioso, como foi nas décadas logo posteriores à conquista, mas não deixou de ser uma área de interacção silenciosa entre o Cristianismo e o Hinduísmo. A arte sacra é o melhor testemunho desse encontro, pois muitos dos artesãos que deram corpo às imagens cristãs, estavam condicionados por práticas ancestrais que foram aplicadas à nova religião.
A par da religião dos senhores da cidade, a religião hindu persistiu, e foi sempre maioritária nas Novas Conquistas. Terminado o período da militância missionária, intensificou-se a convivência pacífica das duas comunidades, a que se foi juntando um novo grupo de muçulmanos. Na sua longa duração, Goa foi, pois, um espaço de convivências religiosas que ainda são mal conhecidas e que urge descobrir ou revisitar.
